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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Nossa única certeza



Quem sabe falar sobre a morte?

A morte quando próxima sempre perturba, mas não sabia que tanto assim. A morte desse amigo serviu mais para eu pensar sobre os relacionamentos ruins que tenho com algumas pessoas, que a própria morte do amigo que ocorrera (Porém, de uns dias pra cá, a ficha anda caindo).

Hoje eu não me arrependo de ter me afastado de pessoas relativamente importantes, elas deram motivos de sobra para tal; mas... tem sempre um “mas”.

No velório em que estive, ninguém chorava mais que ela. Achei aquilo tão bizarro que fiquei pensativo (e com medo). Como pode a única pessoa que estava verdadeiramente brigada com ele estar tão arrasada?

Porque além do amor escondido debaixo do orgulho e do rancor, existiam outros sentimentos. Remorso. Arrependimento.

Enfim, o “mas” é basicamente esse; será que estão valendo os meus afastamentos?

Eu digo isso porque tudo me pareceu tão pequeno ao ver a morte ali, tomando o meu amigo da família dele, tomando ele de mim.

Vendo um cara imponente, racional, forte... e morto. Tudo ficou muuuito menor ao tamanho original.

Ou sou eu é que ando dando altura demais algumas coisas?

Estou vivendo ou sobrevivendo? Planejo meu futuro, trabalho hoje para o sucesso de amanhã, faço faculdade hoje para o sucesso de amanhã. E para o agora, o que eu tenho feito? Planejo, planejo, planejo... amanhã posso não existir mais, o amanhã pode não existir mais. E aí?

Decidi então resolver os meus “assuntos pendentes”. Primeiro comigo mesmo... pensando, refletindo sobre alguns conflitos e principalmente sobre o rancor enorme que alimento de qualquer discussão, rancor esse que, confesso, é o maior dos meus defeitos.

É estranho ver a morte tão de perto.

É saudável vivenciar fatos que lhe dão a chance de ser um novo “eu”.

Agora é analisar o que pode ser mudado. Paradigmas são paradigmas e não se perdem de uma hora para outra. Não que eu serei uma nova pessoa, que eu vá mudar, mas sempre há o que se melhorar e às vezes pode ser tarde demais.

A final, esse pode ser o último texto que eu esteja escrevendo.

domingo, 8 de agosto de 2010

Existem pais de vários tipos...



... e por isso eu vou falar exclusivamente daquele que vem se tornando mais comum do que deveria.

Eu não queria escrever sobre o “Dia dos Pais”, talvez por ser sabidamente uma data meramente comercial, talvez por motivos meus... Enfim, acabei tendo a vontade de escrever para aqueles que não têm um “Pai Herói”, um pai verdadeiro, modelo.

Aquele que não é o herói, aquele que não é o modelo, a inspiração.

Acho que todo “moleque” normal, nascido e crescido em família normal, deseja ser como seu pai. Aquele cara que te leva nos ombros para ver um jogo de futebol, aquele cara que te dá dicas de como pegar mulher, dicas sobre músicas, livros, tudo.

Nenhum problema até aí, se esse modelo de pai não estivesse desaparecendo. Quem você conhece, com 20 anos ou mais, que tenha os pais ainda casados? Se você conhece essas pessoas, elas são mais numerosas do que aquelas que são filhos de pais separados?

Não quero dizer que separação tem intrinsecamente algo a ver com a não proximidade na relação pai e filho, mas ao passo que há essa separação, a relação pai e filho, no mínimo, se distancia. Não me interessa, também, saber que uma maior autonomia das mulheres nos últimos tempos tem alavancado essa onda de separações, enfim, isso não tem nada a ver com o “meu ponto”.

Enfim, não estou com muita inspiração para escrever esse “recado”, mas de qualquer forma, você, que não tem aquela presença paterna que só quem não tem sabe a falta que faz, poderá concordar com quatro coisas:

1 – Nada como conhecer uma família linda, estruturada, com um pai que se faz presente na vida de seus filhos, para você entender com perfeição o rombo que seu pai fez na sua vida.;

2 – A partir desse momento, você verá que tudo que sempre quis, jamais deixou de ser mera obrigação para seu pai, e que essa obrigação não cumprida por ele será uma situação jamais superada;

3 - É péssimo você olhar e ver que é tarde demais para consertar uma situação a qual de todos os envolvidos, você é o que tem a menor parcela de culpa, e, mesmo assim, de alguma forma, se sente culpado; e

4 - Em relação ao modelo, exemplo... o único que seu pai lhe deixou foi o de como não ser um pai.


Aqueles que merecem;


Feliz dia dos Pais.

sábado, 7 de agosto de 2010

Desbanalização do banal



Pois bem, esse é um termo que parece esquisito, ou até mesmo “bastante redundante” como disse um comentário no meu texto anterior. Em linhas bem curtas e confusas tentarei simplificar esse termo.

Para explicar o que essa tal desbanalização do banal quer dizer, primeiro temos de saber a diferença entre pensar e filosofar. Não que consigamos separar essa linha (entendida por mim como tênue) todo o tempo, mas de forma geral é possível.

A diferença entre pensar e filosofar é basicamente a diferença do olhar/enxergar; é um observar com mais detalhes e é justamente aí que entra a tal desbanalização do banal.

São aquelas coisas que todo mundo vê, convive, vivencia, mas que nem sempre dá o seu devido valor, ou a trata de forma que realmente merece, justamente pelo fato daquilo já ter se tornado banal.

Vivemos de forma mecânica, damos o bom dia ainda que não seja de nossa vontade, ouvimos determinadas músicas para se enturmar, nos vestimos de acordo com aquilo que nos é imposto, enfim... Exemplos não faltam de banalização de coisas de grande valia.

Dentro de todos os mecanismos, se foram os verdadeiros motivos de um “bom dia”, os motivos que fazem uma pessoa escrever uma música, e as Happy Hours levaram embora as gostosas “filosofias de boteco”, dando lugar a pessoas sentadas em bares conversando única e exclusivamente sobre trabalho, ou um amontoado de pessoas bebendo por beber.

A um cristão fica ainda mais fácil explicar, pois quantas famílias não se reúnem no natal apenas para alguém encher a cara e dar vexame? E aquele parente que faz questão de aparecer com um puta carrão só para mostrar que cresceu mais que os presentes? Isso acontece. Não com todas as famílias, mas acontece.

E dentro desse emaranhado de motivos que fazem as pessoas irem à ceia de natal, esqueceram-se do motivo mor, que você cristão sabe bem.

Existem pessoas que não sabem o que é tirar uma foto sem se preocupar com o Orkut há anos. Esqueceram-se que fotos são para guardar momentos e não fazer biquinho para atualizar seu Profile.

Desbanalizar o banal é trazer de volta o verdadeiro sentido das coisas. Se você não está enxergando que as coisas estão perdendo seu valor, então nada disso vai fazer sentido pra você.

Resgatar o valor das coisas está na mão de cada um. Você deve saber o que perdeu o sentido a você, então não cabe a mais ninguém trazer de volta o enorme valor daquilo que você considera nobre, mas que por alguma razão, se tornou banal.

É o que sempre digo; não acredite você que existam pessoas pensando por você.

Faça você mesmo.